As Expedições

Expedições para Moçambique

Para África foram mobilizados 30.900 militares ao longo de cinco anos (1914-1918), integrados nas seis expedições enviadas da metrópole (duas para Angola e quatro para Moçambique).
Para Moçambique foram enviados da metrópole, durante a Guerra, 825 oficiais e 17.700 sargentos e praças do Exército e o enquadramento das unidades indígenas envolveu cerca de 900 militares europeus (300 oficiais e 600 sargentos e cabos).
A 11 de setembro de 1914 seguiu de Lisboa para Moçambique a 1.ª Expedição comandada pelo tenente-coronel Pedro Massano de Amorim, constituída por 1.527 militares, 4 bocas de fogo de artilharia, 4 metralhadoras e 327 solípedes, com a missão de guarnecer a fronteira norte de Moçambique para fazer face a possíveis ataques alemães e prevenir a revolta dos nativos.

  • Expedicao 1 M
  • A 1.ª Expedição para vigiar a fronteira do Rovuma

    A 1.ª Expedição chegou a Lourenço Marques a 16 de outubro de 1914 e dali seguiu noutro navio para Porto Amélia, onde chegou a 1 de novembro. Era constituída pelas seguintes unidades:

    • – batalhão do Regimento de Infantaria n.º 15 (Tomar);
      • – esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 10 (Vila Viçosa);
      • – bateria do Regimento de Artilharia de Montanha (Portalegre/Évora);
    • – uma unidade de Engenharia (Lisboa);
    • – uma unidade de Saúde (Lisboa);
    • – uma unidade de Administração Militar (Lisboa).

O tenente-coronel Massano de Amorim irá cumprir as ordens que trazia de Lisboa – vigiar a linha do Rovuma (fronteira norte da colónia de Moçambique), mantendo a neutralidade. Estas forças militares da 1.ª Expedição foram empenhadas principalmente no reforço de postos na fronteira do Rovuma.

  • Expedição 2 M
  • A 2.ª Expedição: A recuperação de Quionga e a tentativa de passar o Rovuma

    Para render a 1.ª Força Expedicionária foi enviada a 2.ª Expedição sob o comando do tenente-coronel Moura Mendes, que embarcou em Lisboa em 7 de outubro de 1915 e desembarcou em Porto Amélia em 7 de novembro. Comparativamente com a 1.ª Expedição, esta força ia mais reforçada – incluía uma bateria de metralhadoras e era constituída por 1558 militares das seguintes unidades:

    • – um Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 21 (Covilhã/Penamacor);
    • – uma Bateria de metralhadoras Maxim (do Grupo Met de Castelo Branco);
      • – um Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 3 (Estremoz);
      • – uma Bateria do Regimento de Artilharia de Montanha (Portalegre/Évora);
    • – uma unidade de Engenharia;
    • – uma unidade de Saúde;
    • – uma unidade de Administração Militar.

Ao contrário da expedição anterior, esta força tinha um objetivo mais ambicioso e uma missão de combate, pois após a declaração de guerra da Alemanha a Portugal, em 9 de março de 1916, o comando português Esta região e a sua baía tinham sido ocupadas pelos alemães em 1894, violando os acordos estabelecidos na conferência de Berlim em 1886.

Com esta expedição seguia também o capitão Álvaro Xavier de Castro, o novo governador de Moçambique, muito influente no partido democrático, que fora ministro da Justiça e das Finanças e que será responsável pela criação de dezenas de companhias indígenas para reforçar o potencial militar da colónia. O governo português deu ordem para esta força recuperar Quionga e ocupar uma parte da colónia alemã até à região de Rufigi, missão naturalmente muito ambiciosa e mesmo irrealista, o que levou o governador a solicitar mais reforços militares.

  • Expedição 3
  • A 3.ª Expedição: a ofensiva dos portugueses e a reposta alemã

    Perante a ameaça dos alemães, o governo decidiu em maio de 1916 mobilizar mais uma força para Moçambique para reforçar a que se encontrava na colónia, cujo pessoal, apesar de esgotado, teve que continuar. Esta 3.ª Expedição foi a maior enviada para o ultramar (constituída por 4642 homens, 945 solípedes e 159 viaturas), era comandada pelo gen. José Ferreira Gil e levava três batalhões de Infantaria (mobilizados pelos RI 23 Coimbra, RI 24 Aveiro e RI 28 Figueira da Foz) e mais 2 Companhias do Regimento de Infantaria n.º 21, 3 baterias de Artilharia, 3 baterias de metralhadoras, uma companhia de Engenharia, secções de telegrafia, companhia automóvel, um hospital de campanha, serviço veterinário e serviços administrativos. Era o triplo do potencial das anteriores expedições, mas em Lisboa já não se sentia o espírito de exaltação patriótica como aconteceu na preparação das primeiras expedições para a África desconhecida.

A 4.ª Expedição com os britânicos perante a invasão alemã

Em 1917 embarcou para Moçambique uma nova expedição comandada pelo coronel de Cavalaria Tomás de Sousa Rosa, que trazia de Lisboa a vontade de desenvolver uma nova ação ofensiva, ao contrário do pensamento do governador e dos britânicos que, perante a ameaça da invasão alemã, defendiam apenas a necessidade de guarnecer a fronteira do Rovuma. O efetivo das unidades da 4.ª Expedição era de 209 oficiais e 5.058 sargentos e praças, mas foi ainda enviado um contingente com mais 4.509 militares para reforços e para enquadrarem novas unidades indígenas que seriam criadas. O novo comandante militar desembarcou em Mocimboa da Praia a 12 de setembro e chegou a Chomba no dia 23, assumindo o comando no novo centro de gravidade do dispositivo militar português (Chomba), de onde podia controlar a rede de postos a sul do Rovuma e acudir a qualquer posto, pelo menos até Negomano, pois para lá deste posto as comunicações eram muito difíceis e não existiam caminhos adequados.

  • expedicao 4 pt1 M
  • A força portuguesa contava com uma razoável quantidade de homens, embora mal preparados. Eram cerca de 12.500 homens, contando com os 9.000 que tinham vindo da metrópole e com os indígenas prontos e os que estavam em formação. As unidades que constituíam a 4.ª Expedição eram as seguintes:

    • - 3 batalhões de Infantaria (um batalhão do RI 29 Braga, outro do RI 30 Bragança e outro do RI 31 Porto);
    • - 2 baterias de Artilharia de montanha;
    • - 2 baterias de metralhadoras;
    • - 1 companhia de Engenharia;
    • - Serviço de Saúde;
    • - serviço de Administração Militar
    • - 55 viaturas (camiões) e 4 postos de telegrafia sem fios;
    • - uma esquadrilha de Aviação (3 aviões F-4 ) constituída por 3 pilotos e 3 mecânicos, sob o comando do tenente João Moura. Não chegou a ter emprego operacional após a queda de um avião nos voos de ensaio em Mocímboa da Praia.

  • expedição 4 pt2
  • Além destas unidades constituídas, seguiram para Moçambique oficiais, sargentos, cabos e soldados para enquadrarem e levantarem 20 companhias e um esquadrão de tropas de recrutamento local (indígenas) e as unidades da guarnição local, mobilizaram também um efetivo muito considerável para reforçar esta expedição:

    • - 1.º Grupo de Companhias Indígenas (25.ª, 26.ª, 27.ª e 28.ª ), major Teixeira Pinto;
    • - 2.º Grupo de Companhias Indígenas (33.ª, 34.ª, 35.ª e 36.ª), major António de Azevedo;
    • - 21 companhias Indígenas Independentes;
    • - Guarda Republicana de Lourenço Marques, tenente-coronel de Cavalaria Almeida e Vasconcelos
    • - 3 companhias Indígenas da Companhia do Niassa (2.ª, 3.ª e 4.ª companhias);
    • - bateria mista de Artilharia de Montanha e de Guarnição, capitão de Artilharia Soares Zilhão;
    • - auxiliares e carregadores indígenas.

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Comissão Coordenadora da Evocação do Centenário da Grande Guerra

 
 
Imagens: Arquivo Histórico Militar (fundo AHM-FE- CAVE-AG)
Fotos de equipamentos Núcleo Museológico das OGFE e do Museu Militar.
 
Textos: O CEP: Os Militares Sacrificados Pela Má Politica, Fronteira do Caos, 2016. A Nossa Artilharia na Grande Guerra (1914-1918), Caleidoscópio,2017.
 
Autores: Coordenação de Pedro Marquês de Sousa. Apoio na preparação de artigos militares OGFE e Fotos: Jorge Baltazar Pinto e André Fernandes.

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