Equipamento

O equipamento de combate

  • Chapéu capacete do Batalhão do Reg. de Infantaria 21

    Em África, o soldado de Infantaria usava o uniforme de cotim de algodão cinzento, com grevas e botas de cabedal. Usava o chapéu-capacete m/1913 de feltro, em mescla cinzenta, gomado, que tinha uma ponta metálica (a cimeira) de cobre oxidado e roscado no ventilador e na frente tinha um laço como símbolo nacional de couro envernizado (a vermelho e verde) por baixo do qual era colocado o número da unidade a que pertencia. Posteriormente, foi usado um modelo com um ventilador no cimo, sem a ponta metálica do modelo mais antigo.

  • Militares de Infantaria com equipamento m/1894 no embarque em 1914

    Adaptação de fotos da Ilustração Portuguesa

    As botas eram de couro untado, com sola dobrada, tacão de meia prateleira e tacheadas. Eram de cor natural do couro e distinguiam-se das tropas de Artilharia e de Cavalaria porque estas usavam a bota em cor preta e as de Infantaria tinham a cor do côco. Nas pernas, abaixo do joelho, usavam as grevas de mescla impermeável (com dois metros de comprimento e doze centímetros de largura) enroladas nas pernas.

As primeiras unidades de Infantaria enviadas para África tinham equipamento individual, como o que fora adotado pela Infantaria em 1894, tendo seguidamente passado a usar o equipamento modelo 1902. Ambos os modelos (m/1894 e m/1902) eram ainda basicamente de couro, pertencendo à geração de equipamentos anteriores aos novos, de lona, como era o modelo Mills adotado pelo Exército português em 1912 (Mills m/1912) e usado pelo CEP em França.

Como podemos ver na fotografia seguinte, o equipamento da Infantaria m/1902, tal como o anterior m/1894, tinha o cinto, os suspensórios e as cartucheiras de couro, mas a mochila e o bornal eram já feitos numa lona (tela) menos espessa e menos resistente do que a lona do modelo Mills usado pelo CEP. Além das fotografias a preto e branco, podemos conhecer a cor do equipamento usado pela Infantaria em África através dos trabalhos de pintura do coronel José Joaquim Ramos, como o que se apresenta de seguida.

Em 1917 algumas unidades enviadas para Moçambique e para Angola já foram equipadas com o equipamento igual ao do CEP (Mills m/1912), com suspensórios e cartucheiras de lona. O equipamento mais usado pela Infantaria na guerra em África foi o modelo de 1902, cuja capacidade de transportar as munições (dotação individual) era inferior ao modelo usado pelo CEP. O equipamento era adaptado ao corpo do militar com um cinto, suspensórios e o cantil era suspenso através de um boldrié. Este modelo m/1902 tinha apenas duas cartucheiras de couro (com capacidade para 60 munições cada uma) e apesar do combatente poder levar mais munições no interior da “patrona” (uma mala de couro) a arrumação e a utilização das munições no equipamento individual de 1902 não era tão eficaz como era no modelo Mills m/1912. Em relação ao transporte das dotações individuais de munições e dos artigos para a sustentação do combatente (cantil, marmita) os modelos usados em África eram inferiores aos modelos mais recentes usados pelo CEP em França.

  • Embarque de unidade com equipamento individual “Mills”, 1917

    Ilustração Portuguesa, n.º. 581, 9 de abril de 1917

    De acordo com a obra do capitão Augusto Casimiro 1, no combate de Naulila (Angola, 18 de dezembro de 1914) cada homem do batalhão de Infantaria 14, dispunha de 200 munições como dotação individual para a espingarda Mauser Vergueiro 6,5 mm m/904 e, através da mesma fonte, sabemos que os infantes da companhia indígena dispunham de 400 munições, que admitimos serem munições 8 mm da espingarda Kropatschek m/1886, tendo o dobro da dotação individual dos militares europeus.

    Em África foi usado o chapéu capacete de feltro sem capacidade de proteção perante os efeitos das armas de fogo.

  • Praças de Infantaria 23 em Angola (1918), usando o equipamento Mills m/1912 adaptado com suspensório na diagonal. Ilustração Portuguesa, 1918.

    Os dois Batalhões da Marinha mobilizados para Angola (1914) e Moçambique (1918) também usaram um equipamento individual de lona (modelo da Marinha m/1914), a espingarda Mannlicher (modelo usado pela Marinha de Guerra, que era diferente das Mannlicher do Exército) e a metralhadora Hotchkiss, embora algumas unidades do batalhão da Marinha tenham usado a espingarda Kropatschek. Nas fotos seguintes podemos ver um militar do Batalhão da Marinha com o equipamento de lona m/1914, com 6 cartucheiras (3 de cada lado) usando em cada um dos lados uma cartucheira superior e duas por baixo desta. Na outra foto estão militares de uma secção de metralhadoras do mesmo batalhão, com a metralhadora Hotchkiss.

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Comissão Coordenadora da Evocação do Centenário da Grande Guerra

 
 
Imagens: Arquivo Histórico Militar (fundo AHM-FE- CAVE-AG)
Fotos de equipamentos Núcleo Museológico das OGFE e do Museu Militar.
 
Textos: O CEP: Os Militares Sacrificados Pela Má Politica, Fronteira do Caos, 2016. A Nossa Artilharia na Grande Guerra (1914-1918), Caleidoscópio,2017.
 
Autores: Coordenação de Pedro Marquês de Sousa. Apoio na preparação de artigos militares OGFE e Fotos: Jorge Baltazar Pinto e André Fernandes.

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