Armamento

O armamento em África

A arma individual usada pelas unidades de Infantaria do Exército era a espingarda Mauser Vergueiro 6,5 mm m/904, que era a arma regulamentar da Infantaria na metrópole, tendo sido utilizada durante a guerra em África (1914-1918) e nos exercícios de Tancos, em 1916. A Infantaria usava a espingarda Mauser mas as unidades de Artilharia e de Cavalaria usavam a espingarda austríaca Mannlicher, também de calibre 6,5 mm, adotada com a nomenclatura m/1898 pela Artilharia e m/896 pela Cavalaria.

Um estudo realizado em 1898 escolheu o calibre padrão de 6.5 mm. Após análise de dois modelos deste calibre – a Steyr Mannlicher-Schonauer e a Mauser modelo 1898 – foi esta a selecionada (modelo 1898), dado que tinha provas dadas na guerra anglo-boer e ficava mais barata. A Mauser foi, assim, a espingarda que substituiu a Kropatschek, embora num modelo diferente do seu modelo original de 1898, uma vez que a portuguesa foi equipada com uma culatra criada pelo capitão Alberto José Vergueiro (mais simples e segura) e assim ficou conhecida como espingarda 6,5 mm m/904 Mauser Vergueiro. Em 1903 o Exército português assumiu a compra de 100.000 armas destas, que chegaram a Portugal entre 1905 e 1907; Portugal dispôs durante a Guerra de 60.000 espingardas Mauser Vergueiro na metrópole e 10.000 em África, pois as restantes 30.000 tinham sido vendidas (20.000 a Inglaterra e 10.000 à África do Sul).

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  • Espingarda 6,5 mm m/904 Mauser Vergueiro


    Origem: Alemã (Deutsche Waffen und Munitions Fabriken, Berlim)

    Calibre: 6,5 mm

    Alcance Máximo: 4.500 m

    Alcance Útil: 2.000 m

    Alcance Eficaz: 400 m

    Cadência de Tiro: 10 tpm

    Comprimento da Arma: 1,225 m

    Peso da Arma: 3,92 Kg com o depósito vazio

    Carregador central e fixo com capacidade para 5 munições

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  • Metralhadora Pesada Maxim m/906

    A metralhadora Maxim criada em 1884 por Hiram Maxim, foi a primeira metralhadora verdadeiramente automática, capaz de disparar 600 tiros por minuto, o que naquela época representava um poder de fogo equivalente a 30 espingardas de repetição. Era inovadora e diferente dos modelos anteriores que ainda dispunham de mecanismos de disparo manuais, enquanto a Maxim, usando apenas um cano, aproveitava a energia do recuo da arma após o disparo (ação indireta de gases) para ejetar o invólucro gasto e inserir na câmara uma nova munição. Tinha a desvantagem de ser muito pesada, pois o seu tripé pesava 40 kg e o seu escudo blindado 13 kg. O Exército britânico foi equipado com esta metralhadora em 1891, mas o Exército português só adquiriu esta arma em 1906.

  • Uma secção de Metralhadora Maxim no rio Rovuma AHM/FE/110/B7/PQ/28

    Origem: Inglaterra, Vickers, Sons & Maxim

    Alcance Máximo: 2.500 m

    Alcance útil: 2.000 m

    Cadência de Tiro: 500 a 600 tpm

    Calibre: 6,5 mm

    Peso da Arma: 26,75 kg com o depósito de refrigeração sem água

A metralhadora Maxim era alimentada por uma fita carregadora constituída por duas tiras de linho (de 0,40 mm de largura e 6,30 m de comprimento), sobrepostas e cravadas por meio de lâminas de latão, com capacidade total de 250 munições. De 3 em 3 alojamentos, existia uma lâmina mais comprida com a finalidade de servir de guia no alimentador, permitindo também uma contagem mais fácil dos tiros. Usava uma viatura rebocada por muar, para transporte de munições com capacidade até 11.000 munições (22 cunhetes cada um com 500 munições).

 

Espingarda Kropatschek 8 mm m/1886

A espingarda austríaca Kropatschek tinha sido a arma regulamentar da Infantaria entre 1886 e 1904 e quando foi substituída pela Mauser-Vergueiro no Exército metropolitano foi destinada a equipar as unidades coloniais, passando a servir como a arma das companhias indígenas de Infantaria.

4.Kropatschek8 mm min

Dispunha de um sistema de carregamento com um armazenamento tubular, sob o cano, que permitia estar carregada com 8 munições e assim dispor de uma cadência de tiro três vezes superior à espingarda Snider, da anterior geração, o que fez com a Kropatschek tenha sido a grande revelação nas campanhas de pacificação em 1894 e 1895 em Moçambique devido ao seu grande poder de fogo perante os nativos, que dispunham apenas de armas de carregar pela boca e algumas Snider e Martini capturadas ou fornecidas por outras entidades. Esta arma serviu a Infantaria indígena durante a Grande Guerra (1914-1918) e esteve ao serviço das unidades coloniais até 1958.

  • Espingarda Snider 14,7 mm m/1872

    Espingarda Snider 14,7 mm usada por algumas unidades coloniais

    Durante a Grande Guerra em Moçambique as unidades da Companhia do Niassa ainda usavam as antigas espingardas com sistema de tiro simples (mecanismo de disparar com o cão) da geração anterior às armas de repetição. Eram já armas estriadas, de retrocarga e munição de cartucho completo, mas eram ainda de tiro simples, com uma baixa cadência de tiro, no máximo de 6 tiros por minuto.

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  • Metralhadora Ligeira Hotchkiss 8 mm

    Cadência do Tiro: 450 a 600 tiros por minuto

    Alcance útil: 2.000 m

    Alcance prático: 1.200 m

    Peso da arma: 24 kg

O Batalhão de Marinha em Angola usou a metralhadora ligeira Hotchkiss, o modelo de metralhadora ligeira com reparo (tripé) de origem francesa, que equipou a Marinha de Guerra e o Grupo de Cavalaria do CEP inicialmente. A metralhadora Hotchkiss foi criada em 1909 mas foi melhorada em 1914 usando a munição do calibre padrão francês 8 mm Lebel. Tinha um especto original pelos grandes anéis forjados junto ao cano para arrefecimento; tinha o peso de 24 kg e, juntamente com o reparo, aproximava-se do peso total de 45 Kg, considerado excessivo pelas tropas.

  • Pistola Luger Parabellum 7,65 mm m/1908

    Origem: Alemanha, Deutsche Waffen und Munitions Fabriken, Berlim

    Calibre: 7,65 mm

    Comprimento da Arma: 235 mm

    Peso da Arma: 0,890 kg com o carregador vazio

    Carregador amovível no punho, com capacidade para 8 munições

    Alcance Máximo: 1.800 m

    Alcance Útil: 25 m

    Cadência de Tiro: 16 tpm.

A pistola Luger 7,65 mm (m/908) “parabellum” de origem alemã foi a pistola usada pelo Exército português nos teatros de operações africanos e nas manobras de Tancos em 1916. Foi o modelo escolhido em 1906 pela comissão chefiada pelo coronel Matias Nunes para substituir o revólver Abadie em uso no Exército desde 1878. Em 1908 foram compradas 3.500 pistolas Luger à Alemanha, mas com o início da Grande Guerra foi decido comprar pistolas Savage 7,65 mm de origem americana (EUA), que eram mais baratas, mais leves e mais pequenas do que as Luger alemãs.

 

ARTILHARIA

Em Angola os materiais de artilharia usados nas operações de 1914 e 1915, foram as peças Ehrhardt, de origem alemã, que já lá estavam desde a campanha de pacificação nos Cuamatos (1907), as peças de artilharia de montanha 7 cm e as peças 7,5 de campanha ambas de origem francesa da Schnneider & Canet.

  • Peça 7,5 cm /15 TR (Tiro Rápido) m/905 Ehrhardt.

    Peça de artilharia de montanha Ehrhardt, usada em Naulila.

    Em Angola a bateria Ehrhardt tinha apenas 3 peças, faltando uma que tinha sido perdida numa operação anterior em que a força portuguesa foi violentamente atacada pelos Cuanhamas.

O exército português adquiriu 12 peças destas em 1905 que participaram na campanha dos Cuamatos (Angola).Esta peça tinha um alcance em tiro indirecto de 6.800 m com granada explosiva (vel 465 m/seg) e 2.500 m com granada de balas. Tinha um tubo de 15 calibres de cumprimento, o seu calibre real era 78,5 mm e um sistema de recuo de molas. Além de rebocada podia ser transportada em seis cargas ao dorso de solípedes e todo montado pesava 892 kg. A cadência de tiro máxima para o m/905 era de 11 t.o.m (tiros por minuto) durante os primeiros minutos; Usava uma granada explosiva 7,5 cm m/905 de 5,07 kg e a granada de balas 7,5 cm m/905 de 5,53 kg. Após a Grande Guerra (1914-1918) o exército português ainda mantinha este material em serviço, com seis bocas de fogo em Angola e seis em Moçambique, distribuídos às seis Companhias de Infantaria de Indígenas, (cada Companhia tinha duas peças 7,5cm/15 Tiro Rápido m/905 Ehrhardt).

  • teste
  • Peça 7 cm Schnneider & Canet de montanha tiro rápido (MTR) m/1906 e m/1911

    Uma peça 7 cm de montanha tiro rápido (MTR) com a sua guarnição e sem os escudos

    Esta peça era a que equipava a nossa artilharia de montanha, pelo que as diversas baterias mobilizadas pelo Regimento de Artilharia de Montanha para Angola e para Moçambique, usaram este sistema, que na época era dos melhores e mais recentes de artilharia de montanha, tendo sido adquirido em 1906 e em 19111. Tinha um alcance máximo de 5.480m, e usava uma granada que pesava 5 kg.

  • Peça 7 cm MTR m/1906 com os escudos montados

    Podia ser usada com os escudos ou sem escudos, sendo que para ser mais fácil a sua deslocação e manobra, era muitas vezes usadas sem os escudos, como se vê na foto.

  • Peça de artilharia de campanha 7,5 TR m/1904

    Peça 7,5 TR m/1904 a bordo do navio “Portugal” na viagem para Angola 1915

    Em Angola foi usado apenas o modelo de peça de campanha 7,5 TR m/1904 o que tinha sido adquirido em maior quantidade. Tinha um alcance máximo de 6000 m. Usava uma granada explosiva que pesava 6 kg (côr amarela) e uma granada com balas (côr branca e ogiva encarnada) que pesava 6,5 kg. Estas peças participaram no combate de Mongua como testemunha uma curiosa fotografia do Arquivo Histórico Militar 2 , mostrando uma peça numa das faces do quadrado.

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Comissão Coordenadora da Evocação do Centenário da Grande Guerra

 
 
Imagens: Arquivo Histórico Militar (fundo AHM-FE- CAVE-AG)
Fotos de equipamentos Núcleo Museológico das OGFE e do Museu Militar.
 
Textos: O CEP: Os Militares Sacrificados Pela Má Politica, Fronteira do Caos, 2016. A Nossa Artilharia na Grande Guerra (1914-1918), Caleidoscópio,2017.
 
Autores: Coordenação de Pedro Marquês de Sousa. Apoio na preparação de artigos militares OGFE e Fotos: Jorge Baltazar Pinto e André Fernandes.

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